Cada vez mais conectadas, crianças e adolescentes circulam por diferentes ambientes digitais sem que pais e responsáveis consigam acompanhar de perto o que acontece nas plataformas. Aproximadamente 60% dos pais encontram dificuldade para monitorar e acompanhar o que os filhos fazem na internet.
Os dados foram obtidos pelo relatório “Redes de Proteção: Desafios e práticas na mediação digital de crianças e adolescentes”, realizado pela ONG Redes Cordiais, que tem como objetivo contribuir para construção de espaços digitais mais saudáveis e confiáveis. O estudo será publicado na próxima terça-feira (4/11), mas alguns dados foram adiantados.
Clara Becker, diretora do Redes Cordiais, reforça que crianças e adolescentes apresentam uma vulnerabilidade maior dentro das redes. “Os pais precisam se informar, precisam estar mais conscientes sobre os riscos reais que as crianças e adolescentes estão correndo. Atualmente existe uma série de ferramentas de controle parental que estão disponíveis e que são muito úteis, mas que muitas vezes os pais não ficam sabendo que existem”, conta.
Outros dados importantes
O levantamento foi conduzido pelo Redes Cordiais em parceria com o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio). Para a pesquisa, mais de 300 famílias foram ouvidas. “A gente fez grupos focais com pais de escola pública, de escola privada, de cidade grande e cidade pequena. Então foi um quórum pequeno que a gente conversou, mas de maneira qualitativa, tentando mapear as dificuldades”, conta Clara.
Veja mais algumas informações obtidas:
- Diferenças de renda e escolaridade impactam a mediação parental. Responsáveis com maior escolaridade e filhos em escolas privadas tendem a conhecer e usar mais recursos tecnológicos de controle, enquanto famílias de baixa renda enfrentam mais barreiras técnicas;
- Estratégias mais usadas são baseadas no diálogo, 43% dos responsáveis nunca utilizaram aplicativos ou ferramentas para o acompanhamento de menores na internet. Por outro lado, a definição de limites para o uso de celular (71%), incentivo a atividades offline (70%) e conversas sobre uso seguro (64%) aparecem como práticas prioritárias;
- Baixo conhecimento dos responsáveis sobre interação social em jogos online. Muitos responsáveis desconhecem o funcionamento de plataformas como Discord e jogos como Roblox e Free Fire, que oferecem chats e interações constantes, o que amplia riscos digitais como contatos com estranhos e cyberbullying;
- Desafios na mediação com guarda compartilhada. Diferenças de regras entre lares (especialmente em casos de guarda compartilhada) e a falta de alinhamento entre responsáveis dificultam a consistência da mediação, ampliando conflitos familiares.
“Você não deixa uma criança sozinha na rua, então você também não vai deixar uma criança sozinha na internet, porque é uma grande avenida pública. Nesses jogos online, por exemplo, tem pessoas que podem fazer contato com as crianças, elas acabam sendo facilmente aliciadas”, pontua a diretora.









