As rodovias federais que cortam Minas Gerais estão entre as mais perigosas do Brasil. O Estado é o terceiro com a maior taxa de acidentes, atrás apenas do Rio Grande do Sul e do Paraná. O ranking, que coloca os caminhos mineiros como os piores do Sudeste, compõe um estudo inédito feito pela Fundação Dom Cabral e divulgado na tarde desta terça-feira (05). São levados em conta nesse levantamento: o número absoluto de acidentes, as Taxas de Acidentes (TAC), as Taxas de Severidade de Acidentes (TSAc) com uma variação conforme danos materiais, vítimas e mortes, além do volume de veículos que circulam no local.

As rodovias federais brasileiras foram palcos de 64,27 mil acidentes em 2021, sendo 60,99 mil, ou 95%, em estradas com o Volume Médio Diário Anual (VMDA) superior a 1.000 veículos. Dentre os ocorridos nas estradas mais movimentadas do país, 13,4% foram em trechos localizados em Minas Gerais, com 8.197 casos registrados. Os dados trabalhados pela fundação têm como base as ocorrências registradas pela Polícia Rodoviária Federal.

A taxa de severidade dos acidentes em Minas Gerais é de 897 e a de acidentes é de 209,7. Nos dois casos o Estado fica na terceira colocação, sendo que o Rio Grande do Sul ficou com taxas de 1 153.8 e 295.3, e o Paraná, com 1 025.4 e 247.6. “O terceiro lugar de Minas Gerais é porque o Estado apresenta uma participação percentual alto no total de acidentes e de acidentes de serevridade”, explica o professor de logística, transporte e planejamento de operações e supply chain da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende.

A situação de Minas Gerais demonstrada na pesquisa é ruim, mas poderia ser ainda pior, uma vez que alguns trechos críticos não entraram na pesquisa.  “Minas Gerais tem uma peculiaridade que alguns pontos da sua malha rodoviária, mesmo sendo federal, tem o controle de segurança e de acidentes da Polícia Rodoviária de Minas Gerais. Então, quando isso acontece, o banco de dados fica no Estado de Minas não entra no banco de dados da Polícia Rodoviária Federal. Um grande exemplo que podemos dar é o do Anel Rodoviário. Como nós temos muitos conflitos de gestão no Anel quem faz o controle dos acidentes é a Polícia Rodoviária Estadual. Como a pesquisa leva em conta somente o banco de dados da PRF, Minas Gerais perde a oportunidade de ter alguns pontos críticos considerados na pesquisa. Então, sem dúvida nenhuma se nós tivemos uma integração dos bancos de dados entre todas as polícias no caso de Minas Gerais poderíamos sim ter uma alta no índice de severidade, já que o Anel apresenta um número muito grande de acidente que resulta em acidentes graves ou fatais”, diz Resende.

Para o especialista em trânsito e transporte, Márcio Aguiar, a colocação de Minas Gerais entre as rodovias com maior índice de acidente tem várias explicações. A primeira delas é o fato de o Estado ter a maior malha rodoviária e uma movimentação grande de veículos, inclusive de cargas. Mas, o especialista lembra que as condições das estradas também são um fator relevante nessa avaliação.

“Para começar, faltam investimentos nas rodovias. Os traçados são irregulares, até porque Minas Gerais é um Estado muito montanhoso, e poucas estradas são duplicadas. Além disso, os veículos estão mais potentes e os motoristas correm mais. Só que as estradas não estão prontas para atender essa demanda”, explica.

Veja o ranking das maiores taxas de acidentes em rodovias federais:  

1 – Rio Grande do Sul

2 – Paraná

3 – Minas Gerais

4 – Santa Catarina

5 – Rio de Janeiro

6 – Rio Grande do Norte

7 – Bahia

8 – Rondônia

9 – Piauí

10 – Espírito Santo

Via O Tempo

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