Nada menos que 149 pessoas perderam a vida após serem atropelados em Minas até julho deste ano. A média de cinco mortes por semana escancara a falta de atenção e imprudência, tanto de motoristas quanto de pedestres. Para especialistas, os números são altos, sendo urgente mais “sensibilidade e estratégia” por parte do poder público para reduzir os acidentes de trânsito.
Para o médico e diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Alysson Coimbra muitos casos acontecem devido ao mundo estar “cada vez mais acelerado”, que gera uma “sobrecarga cognitiva e emocional nas pessoas, que tentam acompanhar esse ritmo intenso no trânsito”.
O especialista em medicina do tráfego reforça a falta de atenção no momento da travessia. Ele cita o uso de fones de ouvido e do celular. “A consequência direta disso é a perda da atenção, de pedestres e motoristas, justamente nos momentos em que ela deveria ser máxima”, afirma.
Segundo o especialista, o poder público precisa agir com “sensibilidade e estratégia” para reduzir os casos de atropelamento. “Isso passa pela ampliação de faixas de pedestres, reprogramação dos tempos semafóricos para contemplar pessoas com mobilidade reduzida, instalação de mais passarelas, expansão da largura das travessias, rebaixamento de guias, melhoria da iluminação pública e redução de velocidades em zonas escolares, hospitalares e de grande fluxo”.
Presidente da ONG Centro de Defesa das Vítimas de Trânsito (CDVT), Lucio Almeida pontua que os casos também assustam no restante do país. Segundo ele, o Brasil tem um dos trânsitos “mais violentos do mundo”.
“Os atropelamentos, na maior parte dos casos, resultam da imprudência de muitos motoristas, da infração às leis de trânsito ou por desatenção dos próprios pedestres. Mas, principalmente, pela falta de respeito à vida humana”, diz Lucio Almeida.
De acordo com estimativa do Ministério da Saúde, hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) registraram 32,8 mil internações de pedestres traumatizados, em 2024. As despesas de atendimento chegaram a R$ 61,9 milhões.










