A Secretaria de Educação de Passos pretende comprar aproximadamente 5 mil absorventes íntimos por ano para distribuir a alunas de escolas municipais do 6º ao 9º ano e com idade entre 10 e 11 anos. A distribuição será realizada por meio de um projeto da Prefeitura de Passos aprovado na câmara no dia 18 deste mês. De acordo com a pasta, aproximadamente 800 estudantes de seis escolas devem receber.

O artigo será fornecido para quatro escolas na zona rural e duas na zona urbana, a Professora Jalile Barbosa Calixto e a Professora Hilarino Moraes. De acordo com a secretária de Educação, Rosa Maria Cardoso Beraldo, o fornecimento será feito de acordo com a necessidade das alunas e a forma de entrega vai ficar a cargo das escolas.

Nós vamos comprar 5 mil absorventes, e eles vão ser distribuídos de acordo com o número de alunas que tem em cada escola e da necessidade de cada uma delas, e esses 5 mil absorventes são para o período de um ano, mas, caso acabe, a gente faz um aditivo para comprarmos mais”, afirmou Rosa.

A diretora Hilarino Moraes, Kenia Alba Martins, disse que, assim que os absorventes forem entregues na escola, ela pretende convidar algum médico ginecologista para fazer palestra sobre menstruação às estudantes.

“O meu objetivo é tentar trazer algum médico(a) ginecologista até a escola para fazer uma palestra para as meninas, explicar que é normal menstruar. Eu já tive aluna que me procurou, chorando, porque tinha menstruado e não sabia lidar. Tenho aluna que vem conversar comigo que entrou no período menstrual e tem vergonha de falar com a família. Isso ainda é algo muito incomum para elas”, disse.

Segundo a diretora, a escola Hilarino Moraes tem cerca de 300 alunas do 6º ao 9º ano, e alunas do 5º que já menstruam. Para ela, a distribuição também vai beneficiar estudantes de baixa renda que não conseguem ter acesso a absorvente.

“Essa distribuição para as escolas vai ser maravilhosa. Infelizmente, temos muitas alunas que a família não consegue ter acesso ao absorvente, e aí elas colocam panos e papéis higiênicos. Para algumas alunas nós vamos doar para levar para a casa”, disse.

Para fazer a distribuição, a diretora afirma que desenvolveu uma estratégia de conversar e explicar para as meninas sobre menstruação, tensão pré-menstrual, mudanças hormonais e onde elas poderão terão acesso aos absorventes.

“Não vamos conseguir deixar no banheiro porque temos alunos menores que ainda não entendem e podem pegar para brincar, mas tudo vai ser muito bem conversado com as meninas. O nosso intuito é mostrar pra elas que o corpo feminino muda e que, com a menstruação, vem a tpm, aflora os hormônios e que está tudo bem. Nós precisamos que elas tenham acesso ao básico antes mesmo de menstruar para que elas consigam lidar com mais naturalidade”, disse Kenia.

BRASÍLIA – Em enquete realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em 2021 com 1,7 mil crianças e adolescentes que menstruam, 62% afirmaram que já deixaram de ir à escola ou a algum outro lugar de que gostam por causa da menstruação, e 73% sentiram constrangimento nesses ambientes.

De acordo com a organização, a dificuldade de acesso a serviços de água, saneamento e higiene adequados impactam diretamente, ocasionando a pobreza menstrual e o desenvolvimento socioemocional, autoestima e autoconfiança e a dificuldade da gestão menstrual adequada pode levar à evasão escolar.

No Brasil, 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro nos domicílios e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas. Além de privação de chuveiros em suas residências, 4 milhões de meninas sofrem com pelo menos uma privação de higiene nas escolas. Isso inclui falta de acesso a absorventes e instalações básicas nas escolas, como banheiros e sabonetes. Dessas, quase 200 mil alunas estão privadas de condições mínimas para cuidar da sua menstruação na escola. Os dados são da pesquisa “Pobreza Menstrual no Brasil: Desigualdade e Violações de Direitos”, lançada em maio de 2021 por Unicef e Unfpa.

“A menstruação é um processo natural, viver esse momento com acesso a informações e aos insumos necessários, como absorventes, é um direito de toda pessoa que menstrua. A elaboração e implementação de políticas públicas que garantam a saúde menstrual é urgente, garantindo a dignidade menstrual e possibilitando bem-estar, autoconhecimento e confiança durante o ciclo menstrual”, diz Rayanne França, oficial de Desenvolvimento e Participação de Adolescentes do Unicef no Brasil.

Via Folha Regional

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